quarta-feira, 26 de março de 2014

Grandes Gerentes e os Mitos sobre Talentos




Dando continuidade aos artigos "A Culpa é do Gerente” "O que os Grandes Gerentes fazem?” baseados em uma pesquisa desenvolvida pela Gallup, neste artigo vamos falar como esses profissionais lidam, retém e desenvolvem os talentos. 
Talento, segundo o etologista Robert Ardrey, é um acidente de nascimento; são padrões recorrentes de pensamento, sentimento e comportamento. A palavra ‘talento’  tem origem no Cristianismo, através da Parábola dos Talentos. Nessa parábola, um homem entrega cinco talentos (uma moeda corrente) para um dos servos, dois para outro servo e um talento  para o  terceiro servo. Os dois primeiros investiram o talento e dobraram seu valor enquanto o terceiro, guardou sem  conseguir nenhum lucro para o seu amo. A moral da parábola é que o talento deve ser usado e expandido.

Para entender o talento, vamos usar como exemplo, um teste com um excelente enfermeiro e outro mediano. O excelente  e o mediano aplicaram  a mesma injeção em 100 pacientes e embora o procedimento fosse o mesmo, as pessoas sentiram menos dor com o excelente. O que ele fazia melhor do que seu colega?  Tinha uma técnica especial? Tinha a mão mais firme? Usava agulhas especiais? Nada disso.
O enfermeiro mediano afirmava ao paciente que “não se preocupe, essa injeção não vai doer nem um pouquinho” enquanto o excelente dizia “ Isso vai doer um pouco mas não se preocupe, aplicarei com cuidado.”
Perceberam? O melhor enfermeiro usava o talento do relacionamento e da empatia e isso, para o paciente era mais confortador.

Cada talento no seu quadrado

 A questão nem sempre é encontrar o talento, mas o lugar certo para ele. O profissional tem talento para vendas? Não é suficiente coloca-lo em vendas sem saber como  ele irá atuar. Se for um vendedor da IBM, por exemplo, esse profissional deverá  gostar de desafios e possuir habilidades para “forçar” uma venda tendo o talento da negociação, já um vendedor da Merck, deverá ser um influenciador, usando o talento da paciência e do relacionamento.
Os grandes gerentes  tentam combinar o talento com a função e essa capacidade de prestar atenção às diferenças sutis, também é um talento que os gerentes devem ter.
O melhor meio de  ajudar um funcionário a desenvolver os seus talentos é encontrar uma atividade onde ele possa utilizá-lo. 

Talento para todas as funções

 Um grande engano é achar que talento só existe em cargos de nível alto. Se você se pergunta: “Como alguém pode querer fazer esse trabalho?”, precisa rever seus filtros e seus conceitos. Se você também acha que para trabalhos de “nível mais baixo”, pode contratar qualquer pessoa e com um treinamento básico tudo será resolvido, pois acha que essa pessoa vai querer uma promoção, continue revendo seus conceitos. Um garçom talentoso pode ser um péssimo supervisor, um vendedor de varejo pode continuar sendo um excelente profissional por anos e anos porque tem talento para tal. Camareiras de uma rede de hotéis, devido ao talento, fazem toda a diferença para os clientes.
Os grandes gerentes selecionam pessoas de acordo com a função a ser desempenhada, sem pensar que estes estarão loucos para buscar uma promoção e sair desse trabalho “penoso”. Exatamente por essa visão distorcida, temos péssimos profissionais no atendimento no varejo, nas operações de telemarketing e afins.
Quantos operadores de telemarketing perdem a paciência com clientes, atendem mal humorados e com descaso? Esta é uma prova que para qualquer função, é necessário ver algo a mais no momento da contratação. Nem com treinamento todos os dias, uma pessoa adquire o talento para  o atendimento a pessoas.

Como encontrar talentos?

 A pergunta correta seria “que tipo de talento minha empresa precisa?”.
Nos anos 90 as duas maiores empresas de corretagem dos Estados Unidos saíram em busca de corretores e embora o perfil que estavam buscando fosse o mesmo, cada empresa se organizava de forma diferente. Enquanto uma delas era totalmente estruturada e oferecia meses de treinamento, a outra entregava aos corretores uma lista de clientes potenciais e um telefone. Os corretores da primeira empresa deveriam ter talento para a organização , disciplina e capacidade de trabalhar sob constante supervisão enquanto a segunda empresa necessitava de pessoas com talento para a independência, pois ele estaria sozinho para realizar o seu trabalho.
Você como gerente tem que saber que talentos necessita e olhar as pessoas além da descrição do cargo, focando a cultura da empresa, como as equipes se organizam e se relacionam. Pense em quem você é e se esse profissional combinará com o seu estilo. A tática dos grandes gerentes para buscar talentos também é conhecer profundamente seus melhores funcionários e buscar outros que tenham o perfil semelhante.